segunda-feira, 28 de julho de 2014

Mais do Mesmo.

Esse povo espiritualizado fica falando que a vida é composta de ciclos para te informar, de forma delicada, que você ainda vai se lascar do mesmo jeito várias vezes e terá altas sensações de deja vu.

É por isso que não gosto de ler diários.

domingo, 16 de junho de 2013

Sobre corrupção e prestação de contas.

Acho realmente engraçado como, desde que o PT está ocupando a presidência da República, a Grande mídia vem martelando bastante sobre a questão da corrupção, como se fosse um fenômeno recente ou tivesse piorado nas últimas décadas.

Entretanto, ela anda meio silente quanto ao caso do Aécio Neves, Senador, pelo partido do PSDB. Ele foi governador de Minas Gerais de 2003 a 2010. E está respondendo a uma ação de improbidade movida pelo Ministério Público, na qual é acusado de ter desviado R$ 4,3 bilhões que deveriam ter sido investidos na saúde.

Bom, nisso, cabe atentar para duas coisas:

A primeira é que está em votação no Congresso Nacional a PEC 37. A Proposta de Emenda a Constituição 37/2011 pretende alterar o art. 144 da Constituição Federal acrescentando o §10. Segue o artigo só com os trechos que interessam (grifo meu):
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos:
I - polícia federal;
II - polícia rodoviária federal;
III - polícia ferroviária federal;
IV - polícias civis;
V - polícias militares e corpos de bombeiros militares.

§ 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, organizado e mantido pela União e estruturado em carreira, destina-se a:

I - apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens, serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas, assim como outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme, segundo se dispuser em lei;

II - prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o contrabando e o descaminho, sem prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos públicos nas respectivas áreas de competência;

III - exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras; 

IV - exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária da União.

§ 4º - às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem, ressalvada a competência da União, as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as militares.
                                                           
                                                               - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

O parágrafo 10 teria a seguinte redação:

"§ 10. A apuração das infrações penais de que tratam os §§ 1º e 4º deste artigo, incumbem privativamente às polícias federal e civil dos Estados e Distrito Federal, respectivamente."

Bom, isso significa que o Ministério Público estadual e o federal não poderiam mais, sendo mais clara e direta, investigar a corrupção. 

Isso é péssimo porque o MPE e o MPF podem muito mais do que a polícia civil e federal, ou seja, eles têm mais facilidade para conseguir alguns documentos e provas. Aliás, o trabalho do MP auxilia a investigação policial. Além do mais, a proposta dificultaria indiretamente que o MP ajuizasse ações de improbidade em face de políticos corruptos.

Uma proposta dessas serve para quê? Que benefícios traz?

A segunda coisa é a seguinte: ao ler a notícia sobre a ação de improbidade contra Aécio Neves eu pensei "por que é tão comum desviarem recursos da área da saúde?". 
Bom, por coincidência, dias depois eu fiquei sabendo que o Ministério da Saúde repassa recursos federais aos estados e municípios para que eles invistam em saúde, ou melhor, no SUS, se preencherem alguns requisitos. Bom, aparentemente, de acordo com as notícias, o dinheiro desviado teria essa origem.

Mas, o Ministério da Saúde não tem uma política que obrigue os entes federativos a prestarem contas dos recursos repassados. Outros ministérios não só exigem a prestação de contas dos fundos como podem aplicar sanções e penalidades se o dinheiro não for bem aplicado ou aplicado no programa errado.

Não é à toa que é tão comum ver notícias em que o dinheiro da saúde é desviado! 

Bom, mas aqui eu devo fazer um adendo: não adianta apenas exigirmos a prestação de contas. É óbvio que ela deve ser feita, mas só isso é insuficiente porque não é possível fiscalizar todos os estados e municípios o tempo todo para ter certeza que o dinheiro foi bem utilizado. 
Devem haver outros meios de coibir a corrupção e a má gestão do dinheiro público. 

Acredito que educar a população para fiscalizar seus prefeitos e a qualidade dos serviços públicos seria o caminho ideal. Fazer eles tomarem parte no processo decisório dos investimentos também. [Claro que será difícil, vai demandar muitos esforços no sentido de educar a população, fornecer acesso a internet a populações dos municípios mais pobres, enfrentar o patrimonialismo ainda presente na administração pública de várias regiões, tecer toda uma legislação para explicar como será a prestação de contas, como será a participação da sociedade...]

Pode até parecer utópico, mas é a melhor forma de prevenir e combater a corrupção.

...*suspiro*

Não disse antes, mas já passei em um concurso, já tomei posse e já estou trabalhando. De qualquer forma, continuo estudando para passar num concurso ainda melhor, por mais que eu goste do meu trabalho e do lugar onde estou trabalhando. É que o salário ainda não é o suficiente para eu morar sozinha sem ter que passar por muitas restrições econômicas...

Mas é muito difícil trabalhar e estudar para concurso ao mesmo tempo. É preciso muita energia e força de vontade. E se eu ficar só focada no trabalho e nos estudos, tenho receio de desenvolver problemas de insônia, piorar a ansiedade ou coisa pior.

Percebi que queria fazer muita coisa e não terei tempo para isso. Estudar línguas, fazer atividade física, ter tempo para sair com os amigos, ler os livros que gosto e ainda jogar vídeo game... Fora os estudos. Quero fazer uma pós graduação, um mestrado, um doutorado...

E ultimamente eu ando com o humor um pouco estranho. Tem dias que eu acordo animada, focada em minhas metas, saio com meus amigos, o trabalho e o estudo rendem... Mas tem dias que eu acordo apática, sem saber porque estou correndo tanto, que não há nada mais de bom para se esperar do futuro. É muito estranho.

Queria voltar logo pra dança do ventre, para meus estudos de língua, sinto que o tempo tá acabando... Mas não dá para fazer tudo de uma vez. Não dá para eu fazer tudo que quero. Tenho que achar um ponto de equilíbrio, onde eu fique satisfeita com minha rotina, com o que faço, que não me faça sentir que estou perdendo tempo e correndo atrás de coisas das quais nem sei se vão me satisfazer. Preciso achar um tempo pra simplesmente não fazer nada, para descansar mesmo, para não me preocupar com tanta coisa...

É difícil.


domingo, 3 de março de 2013

A madrinha!

Então, eu já falei que desde o ano passado sou uma madrinha de casamento? Não? Então, eu sou. Virei, enfim. O casamento será em julho. E preciso marcar com as demais madrinhas de organizar a despedida de solteira/chá de lingerie. O chá de panela será em março e ainda não escolhi o presente. Quero dar algo realmente especial. ^_^

O evento lá de chá de lingerie e despedida de solteira está me deixando um pouco perdida. Não sei como vou fazer e não consegui ainda me reunir com as demais madrinhas para pensarmos em algo juntas. E eu também sou muito chata com algumas coisas, então, não estou gostando de ideia nenhuma, nehuma, que ando vendo nos sites e blogs de casamentos sobre os chás de lingerie e despedida de solteira. Acho tudo cafona, ridículo, sexista, de mau gosto e sem graça. Já falei com a noiva e mesmo assim não sei do que ela gostaria ou esperaria numa festa dessas.

O ideal seria criar uma festa nova com tudo novo. Mas ainda não tive inspiração, não pensei em nada ainda. u.u'


terça-feira, 13 de novembro de 2012

Veja, lógica e curso de Direita....

Sabe um texto ruim? Mas muito ruim mesmo?
Tá até difícil terminar de ler a porcaria.

A Veja - dispensa comentários, não é? - publicou um texto chamado "Parada Gay, Cabras e Espinafre". É um texto tentando ser cult e inteligente usando as mesmas 'argumentações' utilizadas há décadas - e algumas até mesmo já superadas - contra o movimento LGBTTT¹.

O texto já começa estranho ao supor que ser homossexual já deixou de ser problema no país. Já ouvi várias vezes o clichê de que há muitos Brasis, muitas regiões, muitas religiões, muitas culturas distintas, muitos imigrantes, etx, etc, etc... Mas ainda tô para descobrir em que Brasil habitam os colunistas na Veja. Deve ser um bem cor de rosa, fazendo fronteira com o Mundo das Ideias de Platão.

Veja bem, eu não vou provar para você o quanto sua orientação sexual pode ou não influenciar na sua vida. Me recuso a fazer isso. Num país em que já atacaram  irmãos e já se agrediu pai e filho por os confundirem com casais gays, isso é desnecessário. E, só para falar em contradição, o próprio autor do texto supramencionado diz que para a maioria das família brasileiras, ter um filho gay é um 'desastre' - ou seja, ele não deve ignorar que a discriminação existe, certo?

Como bom colunista da veja, o autor começa a divagar legal sobre uma teoria maluca. São linhas e mais linhas de divagação e rodeios só para dizer que, na cabeça dele, o movimento LGBTTT trouxe consequências ruins... E o exemplo que ele dá é a 'animosidade' que ele provoca, que ele não une as pessoas... Emenda dizendo que os próprios 'patronos' do 'estilo de vida gay' se afastam de ser 'objetivo central'. É sério, a gente tem que admirar alguém que escreve, escreve e escreve e não diz absolutamente nada, não é mesmo? A única coisa que ficou clara aí é o desprezo do autor pelo movimento e o fato dele achar que tava tudo na paz até vir essa 'cruzada em favor do estilo de vida gay' e estragar a linda união que havia entre as pessoas...

Como se a coisa toda já não tivesse absurda demais, o autor tenta nos convencer que 'comunidade gay', 'movimento gay' bem como suas 'lideranças' não existem². Sabe por quê? Porque eles são diferentes entre si! Mas que brilhante, não é mesmo? E eu achando que existiam blocos de pessoas completamente iguais! Com valores e personalidades iguais! Vivendo e aprendendo, minha gente. Acho que já dá para nós chegarmos a conclusão que 'comunidade' e 'movimento', seja ele qual for, não passa de uma ficção! Afinal, não existe nenhuma comunidade ou movimento em que seus integrantes tenham exatamente os mesmos valores, a mesma personalidade², a mesma posição ética, a mesma posição política e ideológica, tudo ao mesmo temo.

O autor prossegue em seus delírios afirmando que o reconhecimento da comunidade imaginária LGBTTT como uma classe a parte vai contra o seu intuito de serem reconhecidos como 'cidadão idênticos a todos os demais' - leia-se 'cidadãos com direitos', tadinho, ele não sabe o que diz.

Aparentemente, essa estratégia de se unir para conseguir direitos para seu grupo não funciona. As mulheres e a população negra que o diga, não é mesmo...?

Ele acrescenta que a violência contra os gays também é 'imaginada' pelos 'porta vozes' do movimento. Que os gays, na verdade, sofrem violência urbana - como todo o resto do mundo! Com relação a 'violência gratuita contra gays' - porque, né, ia ser muita loucura afirmar que gays não são torturados e mortos porque, é, são gays e não porque reagiram a um assalto - ele diz que a) é fruto da ação de deliquentes, b) não da sociedade brasileira e c) não há provas² de que a maioria da sociedade cometa ou mesmo pratique esses crimes.

Bom, restam as dúvidas: a) serão esses deliquentes estrangeiros...?! e b) a lei só deve proteger as vítimas dos crimes nos quais a maioria da sociedade brasileira aprova ou participa?! e c) como assim 'provas'??

O artigo prossegue, cada vez mais confuso³, reclamando - pelo que dá para entender - da banalidade do uso do termo 'homofobia'. Segundo o autor, deveria significar só 'raiva maligna diante do homossexualismo'. Adorei o 'raiva maligna'. 'Raiva benigna' deve ser o que eu sinto ao ler os artigos da Veja.

Finalmente, o autor deixa de tentar disfarçar seu problema com os homossexuais e compara com todas as letras (é algo que ele não economiza) "não gostar de gays" com "não gostar de espinafre". E tem a sacada brilhante de que a lei não obriga ninguém a gostar de ninguém, mas apenas a respeitar o direito de todos. Alguém deve informar aos colunistas da Veja que a intenção do movimento não é cair no gosto dos reaças mas conseguir direitos.

Daí, a descida da ladeira é cada vez mais íngreme. Nada que a gente já não tenha lido ou ouvido por aí umas mil vezes. Que doação de sangue não é 'direito ilimitado' (e você aí que nem sabia que doação de sangue era direito, heim?!), que casamento, por lei, é entre um homem e um mulher (nessas frases as damas nunca vão primeiro), que gays não formam famílias, não têm filhos e nem grau de parentesco...

As analogias vão cada vez ficando mais loucas! Se um homem não tem direito a se casar com uma filha, uma neta, uma menor de 14 anos ou mesmo uma cabra!!!²... ...por que acha que é discriminação ele não casar com um homem???  (E você achando aí que a cabra do título ia entrar no texto da mesma forma que entrou o espinafre, heim?) E, Não, não. Você Não pode ter uma relação estável com uma cabra. O texto está errado nisso também.

Por favor, não use o artigo em questão como referência quanto ao direito, oks? Existe uma coisa chamada Crimes de Ódio. Portanto, o lenga lenga de que é impossível tipificar a homofobia e definir ódio já foi ladeira abaixo.

Falando em teoria 'aleijada na lógica', o texto finaliza lembrando aos homossexuais que eles deveriam lembrar que, pelo menos hoje, eles não são obrigados a fazerem trabalhos forçados ou serem presos por serem gays, que não vão mais para a fogueira, que eles já têm os mesmos direitos que outros cidadãos, que não precisam mais se esconder, correr o risco de perder o trabalho, etc, etc.

Depois deste texto, estou certa que a Veja paga para seus colunistas fazerem algum curso de como escrever um artigo que começa de canto nenhum e pra lugar algum e usar comparações desprovidas de lógica para tapar buraco por falta de argumentos.

Estará a Veja ficando cada vez mais à direita para ganhar simpatia com os reaças?
Depois da derrota do Romney, acharia que não é uma boa ideia.


¹ Não vou entrar na discussão sobre ser possível ou não juntar todos num mesmo movimento para não mudar o foco.
² Éééé, ele fala isso aí mesmo...
³ Serão as regras gramaticais também fruto da imaginação? Será licença poética?

sábado, 6 de outubro de 2012

Da nova estratégia daqui pra frente...

Não acho que se afastar de um bom amigo ou de alguém que foi importante em algum momento da vida seja necessariamente ruim. Muitas vezes, isso acontece naturalmente. E não impede que as pessoas voltem a se falar e se aproximar depois. O que acho péssimo, difícil de engolir é quando as pessoas se tornam algo que as afasta de você. Quando não dá pra ter mais amizade porque aquela pessoa perdeu seu respeito, se tornou desprezível ou insuportável.

Ando passando por isso, acho. A pior parte é que quando alguém próximo de mim resolve dá pala, geral faz a mesma coisa. Desgraça pouca é bobagem.

Engraçado porque está chegando meu aniversário e no ano passado foi quase a mesma coisa. Pessoas que eu conheço, próximas, se revelando, mudando ou brigando entre si, enfim. Agindo de uma forma que faz com que eu sinta muita falta de ficar na minha, sozinha, quieta, essas coisas - ou de conhecer a pessoa mais superficialmente, sabe?

Como já dizia uma colega minha: "Todo mundo é muito legal até deixar de ser".
Como diz a voz do povo: "Intimidade é uma droga".

...pior que algumas pessoas eu até conhecia bem, bem mesmo. A maioria dos meus relacionamentos são de longa, longa data. E eu acho muita sacanagem que pessoas que conheço a anos mudem tanto da noite pro dia - ou de um mês pro outro.

Então, é isso. Por mais que eu saiba que as pessoas mudam, nunca deixo de me surpreender quando elas o fazem.

Daí que tô virando adepta da filosofia de que a melhor forma de manter um relacionamento é mantendo-o na superficialidade. Sério mesmo. Quando a coisa tá nesse nível, as pessoas ainda prezam sua imagem, seguem (ou deveriam) as boas regras de educação e civilidade, não exigem demais de você, não fazem confidências constrangedoras, não exigem que você tome suas dores. Algumas até tentam ser melhores do que são. E isso não é algo ruim. Ruim é você ser um mala porque acha que sua amiga, companheira, namorada, etc, tem o dever de te aguentar no 'seu pior' para ter o 'seu melhor' - principalmente quando você não vê esse 'melhor' faz tempo.

Há uns anos, muitos anos, uma amiga minha (conheço há quase 15 anos) me disse que ela fazia questão de me tratar com educação e cortesia porque ela se importava comigo, exatamente porque somos amigas, ela faz questão de ser delicada. Se não se importasse comigo, dizia ela, não seria tão gentil. A maioria das pessoas adota a prática contrária porque acha que isso sim é ser amigo, íntimo e tudo mais.

Bom, então, não confundir folga com intimidade, faça o favor.

Mês retrasado ou passado, um amigo meu me disse que nós dois não falávamos de assuntos mais íntimos, que apesar de ser amigos há anos não sabíamos bem um do outro. Engraçado ele ter me falado isso. Ele não chegou a essa conclusão sozinho. Uma pessoa falou isso pra ele. "Que amizade é essa que você tem com ela e com ele? Se nem falam sobre a intimidade de vocês?". Uma pessoa diferente também me questionou a mesmíssima coisa. [Olha, eu vou evitar dizer o que eu sei e penso sobre as duas criaturas autoras do questionamento...]

Bom, vou dizer porque não gosto de falar tudo que me vem à cabeça e o que acontece comigo. Já tive uma amizade assim. Contava tudo, absolutamente tudo sobre mim. Ela idem - segundo ela mesma. Não deu muito certo. Até porque muitas coisas que eu dizia era na hora do raiva. Me arrependia depois. Percebi que tinha sido muito injusta ou crítica na hora por causa da raiva. E ela só tinha acesso a minha versão, claro. Por outro lado, eu simplesmente esquecia de contar coisas positivas sobre gente de quem já tinha falado mal. Ou seja, eu acabava criando uma imagem negativa de pessoas próximas a mim, né, pra ela.

Esse é um dos motivos pelo qual não gosto de falar pra todo mundo sobre minhas brigas e conflitos - seja no trabalho, com outras amigas, conhecidos e mesmo familiares. [Apesar de que eu sou tão linguaruda que não consigo deixar de desabafar. E ando me contendo, claro.] Enfim, não quero que isso seja mais um motivo para mais conflitos.

Uma prima minha diz que, porque eu sou do elemento ar, tenho facilidade para me dar bem com pessoas muito diferentes. Por isso, as pessoas com quem me relacionam não necessariamente terão afinidade entre si. Muitas delas realmente não partilham comigo do mesmo hobby, das mesmas ideologias, dos mesmos gostos e hábitos. Talvez isso sempre fique mais explícito na época do meu aniversário porque surge a oportunidade de reuni-las - acho que é mais fácil ignorar as desavenças nas outras épocas do ano.

Espero que até o próximo aniversário eu já seja um ás na arte de fazer cara de paisagem e me manter na minha. Melhor mudar meu modus operandi. Não quero interferir nos problemas de ninguém porque não me lembro de nenhuma vez que fui bem sucedida nisso. Quanto menos eu me envolver, menor a probabilidade de ver o pior lado de cada um dos envolvidos, logo...

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Sobre o Massacre do Carandiru...

Hoje, o Massacre do Carandiru completa 20 anos. Até agora ninguém foi punido ou condenado.

O coronel Ubiratan tá morto, mas, após o massacre, foi eleito deputado estadual.
Luiz Antônio Fleury Filho (PMDB) não está sendo julgado pelo crime e não se arrepende do que aconteceu. Pelo contrário, até hoje pensa que tomou a decisão certa e faria tudo novamente.
Pedro Franco de Campos era o secretário de segurança e é outro que não está no banco dos réus.

Li várias notícias a respeito do caso e não sei como alguém tem coragem de defender um massacre tão cruel e covarde. A maioria dos comentários elogia o coronel Ubiratan, afirma que não haviam inocentes ali, que deveria se lamentar a morte de policiais e de "pessoas de bem", que bandido bom é bandido morto.

Acho engraçado que pessoas tão cheias de ódio condenem tanto a violência. Parecem ter orgasmos com chacinas como o do Carandiru e da Candelária porque, afinal, quem tá morrendo são os "bandidos", pessoas violentas, sabe? Que furtam, roubam, sequestram, estupram e matam.

Interessante como esta concepção de "bandido" é relativa. Aparentemente, os policiais que torturaram e mataram mais de 111 pessoas no dia 2 de outubro de 1992 não são 'bandidos'. Não são pessoas que matam.

Aparentemente, quando se está dentro de um presídio você deixa de ser humano. Você não tem mais vida. O Estado pode dispôr de você como bem entender. Você é um monstro, você é uma coisa, sua existência pode ser violentamente interrompida para saciar e deleitar uma classe frouxa, corrompida, covarde e medrosa, supostamente sedenta por 'justiça' e 'paz social'.

111 pessoas, logo, não são nada. Poderia ter sido um número maior. Por que não? Que fossem todos os presos. Não são um número, não são pessoas, são apenas o medo. Personificação do medo da violência urbana. E o Massacre do Carandiru na verdade é a retaliação, é a vingança pelo roubo, sequestro ou qualquer outro crime que se queira atribuir às pessoas mortas por meio de uma abstração doente e torpe.

A abstração que dá legitimidade aos agentes do Estado para abrir a barriga de pessoas com baionetas, soltar os cães em cima e empapar de sangue o pavilhão 9. Eram 'bandidos', certo? Que estivessem rendidos, desarmados, sem chance de defesa, sob a tutela do Estado, quem se importa? Que não tivessem cometido crimes, ou que estivessem ainda esperando seu julgamento ou que estivessem exatamente pagando pelos seus erros ali é mero detalhe.

Aliás, falando em cachorro, isso me lembra... Os cidadãos de bem, essas pessoas boas e inocentes... Onde está a defesa tão ardente pela Vida que eu vejo quando se fala em descriminalização da interrupção da gestação...? Ela casa bem com a defesa pela Pena de Morte e com a Redução da Maioridade Penal, não é mesmo? Ah, e com a impunidade dos lixamentos e eventuais chacinas praticadas pelos policiais.

O absurdo do relativismo do termo 'bandido' só se compara com o de 'inocente'. Em nenhum momento se cogita que os 111 eram inocentes. Ou seja, culpados de alguma coisa eles devem ser. Só não se sabe do quê. E que 'culpa' foi essa que acarretou uma resposta tão razoável do Estado, não é mesmo?

É difícil ser considerado 'inocente' na nossa sociedade. Se você tá preso, é inconcebível que seja inocente de qualquer coisa.  Qualquer coisa que lhe aconteça dentro de um presídio é porque você mereceu. E sempre lhe reputarão o pior delito possível: sequestrador, estuprador, assassino. ...aliás, até esse 'pior delito possível' é relativo, não é mesmo? Quero dizer, vejam só as vítimas de estupro. Elas sempre provocam o crime de alguma forma - isso quando elas são de fato estupradas, né? Coisa da qual nunca se tem lá muita certeza... Até o sequestro e o assassinato são compreensíveis em algumas circunstâncias. Por exemplo, quando você é goleiro do flamengo e tentam te cobrar pensão alimentícia.

Pelo visto, há assassinatos e assassinatos, há bandidos e bandidos, há inocentes e inocentes.
Mais de 111 pessoas mortas. De forma covarde, fria, resultado de irresponsabilidade e ódio.
Mas estavam no Pavilhão 9 do Carandiru. Os assassinos eram policiais. Os comandantes eram agentes do Estado. "Estrito cumprimento de dever".